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Bad Bunny diz que não dará mais entrevistas; mas por que?

Cantor foi alvo de críticas após comparar racismo e homofobia com preconceito ao reggaeton.

Sofia Sampaio

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RAMONA ROSALES Bad Bunny diz que não dará mais entrevistas; mas por que?

O ano de 2021 já começou controverso para Bad Bunny. O dono dos maiores hits de trap latino de 2020 escreveu nas redes sociais que não dará mais entrevistas, algo nada positivo para quem lançou três álbuns em um ano, conquistou o topo das paradas nos Estados Unidos e tem uma participação na nova temporada na série Narcos logo aí.

Existem duas opções: a primeira é uma entrevista em vídeo com o youtuber Alofoke, de basicamente uma hora. Apesar de falarem bastante sobre o álbum mais recente do artista, El Ultimo Tour del Mundo, fãs acreditam que o apresentador “focou muito na vida pessoal” e isso teria desagradado o coelho mal.

A segunda opção, que apresenta um motivo não tão “genérico” e de fato é a mais plausível, é a entrevista para o El País, publicada no último dia 3 de janeiro. Bad Bunny foi criticado nas redes sociais depois das declarações sobre o reggaeton e preconceitos sociais. Os fãs defendem que a resposta do cantor foi “tirada de contexto”.

Ao falar sobre a rejeição e preconceito com o gênero (como bem colocado pelo próprio El País, muitas vezes classicista), Bad Bunny revelou: “Isso [preconceito] nunca será superado, é como o racismo ou a homofobia. Parece feio pra car**, parece horrível – não sei se hoje acordei pessimista, mas isso é algo que nunca vai acabar”.

Além disso, uma outra declaração também teria irritado alguns seguidores norte-americanos. Aliás, é ela quem dá o título da matéria: “É preciso acabar com isso de que os gringos são deusesNo, papi.” Aqui, ele não mentiu.

Ainda sobre os ritmos latinos marginalizados, como o próprio reggaeton, Bad Bunny sabe da importância e contexto histórico do que apresenta ao “novo público”, apesar de se apoiar no trap, ritmo mais popular atualmente.

“Tenho fãs de vários tipos; fãs da comunidade LGTB e também, tenho certeza, fãs homofóbicos. Feministas e machistas. Tenho a capacidade de fisgá-los com esse reggaeton e com esse vocabulário. Falo com eles como nós falamos e lhes passo uma mensagem sem fazer com que sintam que estou passando um sermão”, conta.

“Reggaeton é um gênero que vem da rua, do underground, de gente pobre que não tinha opções. Às vezes até criminosos, mas não estou dizendo isso de forma depreciativa. Gente que saiu da prisão, ou vendia drogas, e no final viu uma luz naquele gênero do reggaeton. Muitos puderam abandonar aquele estilo de vida e comprar uma casa e um carro. Acho que é daí que vem essa rejeição”, diz. “Mas isso não me incomoda, que digam o que quiserem, tem um mundo inteiro dançando as músicas, curtindo a vida sem preconceitos.”

Sobre a questão de não saber tocar nenhum instrumento e nem ler partituras, que inicia a matéria publicada, Bad Bunny conta que não sairá do mundo sem aprender a tocar um – o objetivo é aprender piano.

—Se você não é músico, como se define?

—Como um artista que vê as coisas de um jeito diferente e tenta criar seu próprio mundo.

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