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Paulo Londra enfrenta processo contra gravadora que co-fundou

Entenda o caso.

Sofia Sampaio

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Paulo Londra enfrenta processo com gravadora que co-fundou

Paulo Londra é um dos nomes mais emergentes do cenário trap latino. Em 2019, se destacou com singles como Adan y Eva e Talvez, além de parcerias como Cuando Te Besé, com Becky G. Além de ser indicado à Artista Revelação do Grammy Latino, lançou seu primeiro álbum, Homerun, sob o selo da Warner Music em conjunto com a Big Ligas.

O cantor, compositor e futuro pai, enfrenta um processo delicado desde março deste ano. De fato, nunca há um “bom momento” para começar uma batalha judicial, mas este não poderia ser pior para o artista. “Estou vivendo o sonho com pessoas erradas”, disse à Billboard Latin.

Fundação da Big Ligas

Paulo Londra é co-fundador da gravadora Big Ligas, ao lado do empresário Cristian Salazar e o produtor Daniel Oviedo (sim, o Ovy on the Drums). Eles se conheceram em 2017, na Colômbia, e três meses depois, fundaram a gravadora. A intenção ao criá-la era, obviamente, a melhor: fomentar e prosseguir o desenvolvimento e exploração comercial de Londra. Ou seja, com Ovy on the Drums produzindo suas músicas e Salazar fornecendo seus serviços de markentig.

O processo

Agora, dois anos após o lançamento da Big Ligas, Salazar e Oviedo entraram com um processo contra o argentino sob acusação de quebra de contrato e dívida. Em contra-partida, Londra os acusa de fraude e representação negligente. O centro dessa disputa envolve um documento assinado pelo cantor no início de sua carreira, com 19 anos [agora, com 22], concordando em desistir de seus direitos de publicação e composição. Salazar e Oviedo alegam que Londra viola o contrato ao não entregar novas músicas, apesar das obrigações ao assinar o documento. Isso explica bastante o porquê Homerun não teve tanto investimento.

De acordo com o processo de 22 páginas, Londra alega que Salazar e Oviedo o enganaram. O artista afirma que o o empresário apresentou o documento durante uma filmagem em fevereiro de 2018 e que assinou acreditando ser um “adereço” para o clipe, não um contrato vinculativo. “Me senti muito estúpido. Não tinha advogado, nem tempo para ler o documento completamente”, disse à Billboard. “Tinha 19 anos e não fazia ideia de como era a indústria da música. Confiei neles”.

Lançamento de Homerun

A Warner Music tem um peso importante nessa batalha judicial. O acordo estipulava que Londra gravaria músicas e atribuiria os direitos autorais totalmente à Big Ligas em troca de 50% dos royalties. O prazo era de 3 anos, mas se o selo formasse um contrato de gravação ou publicação com uma gravadora principal (neste caso, a Warner Music), o prazo seria alterado.

Londra revelou que embora já se sentisse infeliz com seu contrato, não teve escolha ao fechar o acordo com a Warner. De acordo com ele, o advogado da Big Ligas, Matt Greenberg, enviou uma carta dizendo que se não assinasse, poderia “arruiná-lo financeiramente e profissionalmente”.

A advogada do artista, Helen Yu, alega que o contrato com a Big Ligas (inicialmente de fevereiro de 2018 a fevereiro de 2021) foi alterado após o acordo com a Warner, modificando o prazo final para maio de 2020. Londra pede, então, que o tribunal entenda o acordo com os empreendimentos conjuntos (Warner e Big Ligas) como “adequadamente” encerrado.

O argentino também pede sua dissolução na Big Ligas, alegando que a gravadora “tentou explorar a inexperiência e juventude do artista para o próprio benefício financeiro”. Segundo documentos legais, a batalha tem causado “grande incerteza à Londra e sua carreira musical”.

“No final do dia, eu posso fazer música, mas ela nunca será lançada. Seria uma loucura eles não me deixarem fazer música e fazer o que eu amo. Essa é a única coisa que faço e o que faço bem”, disse. “Para eles não me deixarem fazer música, é como se eles estivessem tirando sarro de mim”.

O outro lado

Salazar e Oviedo negam veementemente as alegações feitas por Paulo Londra. Eles argumentam que o artista “desfrutou de benefícios significativos” ao fazer o acordo com a Big Ligas, que inclui um “contrato altamente lucrativo com a Warner Music pelo qual foi representado separadamente por advogados e pelo qual recebeu mais de um milhão de dólares”. Além disso, afirmam que apesar de seus “esforços exaustivos” e “consequente sucesso de Londra”, o cantor passou a “enrolar” sua participação na gravadora. Também dizem que a única intenção era ajudar o artista a crescer no mundo da música. “Dei a ele o melhor de mim como produtor para que pudesse se tornar um artista mais sólido”, diz Oviedo. “Tínhamos um vínculo forte e não entendo o motivo das coisas terem que ser assim”.

“Investimos muito tempo e dinheiro nesse projeto e demos muito amor”, disse Salazar à Billboard. “Prometi a Londra que o levaria aos grandes lugares, às principais ligas, e fiz isso”. Salazar e Oviedo pedem que o argentino pague os danos compensatórios, que ultrapassam US $ 1 milhão pela violação do negócio, incluindo lucros perdidos que “teriam sido ganhos se o contrato tivesse sido totalmente executado”.

A carreira dos envolvidos

Toda batalha judicial, por motivos claros, não afeta apenas a carreira de Londra, mas também de Oviedo que, recentemente, iniciou sua carreira solo. De acordo com o produtor, ele tem recebido mensagens de ódio nas mídias sociais. “Eles até disseram que torcem para que eu morra de coronavírus”, revelou. “Essa vibração ruim me deixou bloqueado. Não consigo me concentrar em criar músicas e não posso trabalhar assim”.

Por fim, o tribunal ordenou que o pedido acelerado de Londra para mediação entre ele e a Big Ligas aconteça até dia 30 de junho.

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